Um ano de viagens: 10 erros na nossa viagem com crianças

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Completamos nosso primeiro ano viajando agora e, sim, nos divertimos muito, mas também erramos muito. Acredite, a gente errou horrores. Foram muitos erros, mas aqui só vou listar os maiores para que você aprenda com eles e consiga evitá-los.

Aliás, temos uma lista com os primeiros erros que cometemos lá nos primeiros meses de viagem.

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Querer ver e fazer tudo

Essa foi, provavelmente, a pior coisa que a gente fez e é a pior para quem está em viagens longas. É o melhor jeito para fazer todo mundo cansar de viajar e querer ir embora pra casa o mais rápido possível. A gente fez isso algumas vezes, apesar de saber que a gente precisava de uns dias de descanso. O problema é que nem sempre dá, ou a gente quer muito fazer muitas coisas e decide, deliberadamente, pular o descanso. Quando a gente quer fazer tudo, o que a gente ganha são crianças e adultos cansados, passeios chatos, dias ruins e, algumas vezes, acabávamos tendo semanas ruins por causa disso. Não vale a pena. Mesmo.

Se esforçar muito

Claro, a gente se esforça para que todos se divirtam, para que a educação aconteça, para agradar, ou qualquer outra coisa. Só pare, respire fundo e olhe. Vocês estão se divertindo, mesmo que sejam 3 da tarde e vocês só tenham ido até o parquinho por meia hora? Vocês estão tendo um dia maravilhoso apesar de não terem tirado o pijama e só terem comido pipoca? Eu acredito que, se todo mundo está feliz, o resto não importa muito.

Claro, tentar incluir alguma coisa especial para cada um é legal como eu já falei, mas você não precisa que isso aconteça o tempo todo, em todos os lugares, em todas as viagens. Sério.
Ninguém precisa de alguma coisa o tempo todo. Crianças precisam aprender e se divertir e, se o plano é viajar por longos períodos, todo mundo precisa gostar de viajar. Só que, de vez em quando, coisas dão errado ou todo mundo acorda de mau humor. Acontece.

Tem vezes em que a gente não acredita que está fazendo o suficiente ou que uma criança vai acabar se sentindo excluída. Mas não é assim. Procure o equilíbrio, isso é o mais importante.

airport family travel

A espera  sempre chata, e as nos aeroportos são sempre longas – as piores

Passagens mais baratas

Quando a gente estava começando, compramos um monte de passagens juntas. Compramos todas, as mais baratas que encontramos. Acontece que algumas delas não valeram a pena. Vôos às 6 da manhã são horrorosos: a gente precisa estar no aeroporto às 3 da manhã, o que quer dizer acordar às 2 se já se tem tudo arrumado e pronto pra viajar. A gente tentou dormir no aeroporto, dormir pouco, ou nem dormir. Todos foram horríveis. No final dessa compra – que durou até o Canadá, paramos de comprar vôos em horários ruins, mesmo que custem mais.
Vôos noturnos são tranquilos para nós, então até às 2 da manhã dá pra voar. Depois disso, não.
Também decidimos que preferimos chegar no destino durante o dia e que não ter viagens que duram mais de 20 horas é o ideal. Agora, 15 horas no máximo para nós. Pode parecer muito, mas com conexões e entretenimento individual, o tempo voa!

Pesquise bem antes de comprar alguma coisa

Esse passo é super importante para qualquer viagem. A gente marcou vários vôos sem pesquisar nada, só porque os vôos estavam baratos, e acabamos gastando muito mais do que a gente podia. Em alta temporada, o preço das casas, hotéis e hostéis tende a aumentar muito. Pesquise, no mínimo, o clima e o preço de acomodação no país na época em que você pretende ir. Para o Uruguai, por exemplo, se a gente adiasse ou adiantasse um mês, daria para ter economizado muito ficando nos mesmos lugares.

Carregar coisa demais

A gente carrega coisa demais. Muita coisa, mesmo. Já doamos mais da metade das coisas que a gente carregava no começo, mas ainda temos muita coisa. Ganhamos presentes da família, dos anfitriões, dos amigos, e temos uma ligação emocional com muito do que a gente carrega. Ainda estamos caminhando ao nosso ideal – espero conseguir ainda esse ano!

Comer errado

Quando a gente está de férias, come porcarias, come fora todos os dias, etc. A gente ainda faz isso muito mais vezes do que o ideal. A gente precisa enfiar na cabeça que isso não são férias, é a nossa vida, apesar da gente se mudar a cada 2 semanas aproximadamente. Não é saudável nem barato viver assim. Precisamos cozinhar mais, e coisas mais saudáveis. Tenho já várias inspirações no nosso painel Travel Food! no Pinterest!

tea party alice wonderland

Chá com os personagens do filme Alice no País das Maravilhas? Tão fácil comer assim…

Tênis de caminhada

Compramos depois de quase morrer em algumas caminhas na NZ. Usamos propriamente algumas vezes, mas na maioria das vezes, são os nossos sapatos de avião, porque são muito grandes e pesados para levar na mala. Se você não pretende fazer muitas caminhadas, nem compre um. Qualquer sapato confortável e fechado serve. Se você vai fazer caminhadas, compre. Ou compre e comece a fazer caminhadas, faça valer o dinheiro!

Leitores digitais

Temos um para cada criança. Eles usaram muito, e eu acho mesmo que foi um dinheiro bem gasto. O problema foi que compramos 2 Kindles e 2 Kobos. Os Kobos, teoricamente, foram para pegar livros da biblioteca, e os Kindles, porque tinha livros que a gente só encontrava na Amazon.
O Adobe Reader, programa necessário para ler os livros da biblioteca, parou de funcionar. Os livros da Amazon, hoje em dia encontramos em qualquer lugar.
Deveríamos ter comprado todos iguais, seria mais fácil de compartilhar os livros entre as crianças. Aliás, para a Coral, a gente deveria nem ter comprado, já que ela lê no tablet. Ela gosta das cores dos livros infantis.

packing light

Isso é só parte do que eu e o Angelo carregamos

Ficar com receio dos médicos e hospitais de outros países

Hora da confissão: eu tinha um certo medo dos médicos em geral, mas ainda mais medo de médicos de outros países. Na verdade, se você estiver pagando, o cuidado é o mesmo na maioria do mundo. Usamos hospitais na NZ, Japão, Brasil, Uruguai, Chile, Bolívia e Colômbia e não vimos diferença. Tirando o preço, claro. O cuidado é o mesmo, as perguntas dos médicos e enfermeiras são as mesmas, os exames são os mesmos e os resultados também. Todo mundo chega às mesmas conclusões. Veja se é limpo o suficiente e vá em frente! Nós não tivemos problema nenhum!

Ter medo

Se você está saindo do país pela primeira vez, vai dar medo. Ladrões, assaltantes, terroristas, etc. Qualquer que seja o destino, algum conhecido seu vai ter uma história de terror pra contar daquele lugar. É mais ou menos como quando se está esperando um filho e toda mulher aparece contando uma história horripilante de parto, achando que a violência sofrida naquele momento é o normal.
Na real, você tem grandes chances de não ter nenhuma experiência ruim. A maioria das pessoas não têm, senão ninguém mais viajaria. Eu ensinei as crianças a carregar as bolsas direito, a ficar alerta o tempo todo, a andar entre mim e o pai, e várias outras coisas. Nunca precisamos.
Nenhuma vez. Até inventamos uma senha para quando alguém visse alguma coisa suspeita – nenhum de nós nem lembra qual era.

Viajamos pela América do Sul por 9 meses e não usamos nada do que eu ensinei pra eles. Nos sentimos perfeitamente seguros em todos os lugares. Dormimos em um trem noturno na Bolívia, tomamos taxis em todos os lugares, ficamos parados na rua jogando Pokémon Go, passamos tardes em lugares públicos fazendo nada com as nossas coisas jogadas em volta de nós, usamos caixas eletrônicos em todos os lugares, etc.
Claro que ficar alerta não é ruim, mas não precisa exagerar.
Enfrente os seus medos, dê a cara a tapa, e você vai conhecer o mundo – com certeza vale a pena!

Eu espero ter aprendido com os nossos erros, e espero que a gente possa ajudar vocês com eles!

travel slow

Alguns dos nossos melhores momentos foram assim, fazendo nada

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