Trens (e outros meios de transporte) no Japão

inside a Japanese train

Uma foto acidental da gente em um dos raros momentos de trem vazio

A gente passou setembro de 2016 no Japão e, apesar de ter alugado um carro por uma semana, a gente usou transporte público na maior parte do tempo. Hoje vamos falar sobre isso!

O transporte público no Japão funciona perfeitamente bem e é super confiável e pontual. Mesmo quando a gente não tinha nada planejado, as placas dizendo os horários eram infalíveis. Se havia algum atraso, ele seria mostrado na placa, e na maioria das vezes, o motivo do atraso era explicado. Se houvesse adiantamento, o trem (ou ônibus) ficava no ponto até dar o horário certo (e sempre era cerca de 1 minuto).

Mie's train station

Uma estaçao de trem em Suzuka, Mie

Ah, a gente não comprou o JR Pass porque não valia a pena para nós. A gente fez alguns cálculos e o que a gente pagaria se comprasse viagem por viagem não chegaria nem perto do preço do JR Pass. No final das contas, usamos muito mais trens do que a gente tinha calculado, mas mesmo assim, o mês inteiro de viagens saiu o preço de 2 semanas de JR Pass para a família. Eu acho que o passe da JP só vale a pena se você vai visitar muitos lugares usando muito trem bala em um período curto. Como a gente ficou um mês, não valia a pena

A gente usou o Hyperdia para descobrir o trem, a estação, o horário e o preço. É bem útil, em inglês e grátis.

inside Japan train

Era assim que a gente pegava os trens, na maioria das vezes – nada absurdamente cheio, mas cheio

Chegamos em Narita e usamos o Airport Limousine para chegar em Shinjuku. A gente precisou esperar na fila por mais ou menos 20 minutos, de pé e no calor. O ônibus era confortável e chegamos em Shinjuku em 90 minutos com trânsito. O ônibus parou no hotel Hilton e lá nós pegamos um taxi (2 taxis, porque somos em 6) e pagamos JP¥ 900 pela corrida de 5 minutos até o apartamento aonde ficamos. Minhas crianças se encantaram com as portas dos taxis que são abertas e fechadas automaticamente (pelo motorista).

Depois disso, usamos muitos trens, fossem eles trens comuns, metrôs ou trens bala.

train station in Japan

Uma das estações de trem

Foi uma experiência boa para todos nós, acostumados a ter carro sempre. Preciso dizer que a gente não amava andar a meia hora até a estação de Shinjuku, ou passar a viagem de volta pra casa de pé, mas no geral, eles gostaram de andar de trem. Apesar da gente ter 2 estações mais próximas de casa em Tóquio, a gente quase sempre andava até a estação de Shinjuku porque era uma caminhada gostosa e porque acabava sendo consideravelmente mais barato. JP¥ 200 pode não parecer muito, mas se contar as 5 pessoas pagantes da família (2 adultos e 3 crianças, sendo que crianças até 12 anos pagam metade e menores de 6 vão de graça), a ida e a volta, acabava custando bem mais.

train station

A barreira entre o trilho e os usuários

Os trens de Tóquio e Osaka eram cheios todos os dias da semana, o dia inteiro. A gente não pegou nenhuma hora em que a gente pudesse entrar, sentar e permanecer sentado até o fim da viagem. Em Osaka, a gente só conseguia sentar porque nossa estação era a última da linha, e mesmo assim, só sentávamos nas 3-4 últimas estações. Os anúncios dos trens de Osaka eram muito úteis, dizendo o que a gente encontrava em cada estação (Universidade A, Escola de Direção B, Avenida de Restaurantes C, use essa estação). Tanto em Osaka quando em Tóquio, os anúncios aconteciam em japonês e inglês.

ticket machines

Angelo comprando os bilhetes

Existem algumas regras, como colocar o celular em modo silencioso, não usar celulares perto dos assentos preferenciais, não conversar dentro dos trens, colocar bagagens grandes nos compartimentos suspensos, mas as pessoas não seguiam muito as regras, não. E eles não davam o lugar para pessoas mais necessitadas, sejam idosos, pessoas com bebês de colo, deficientes, qualquer coisa: só continuavam mexendo nos celulares. Quando a gente levantava para dar o lugar para alguém, uma pessoa de terno vinha correndo pra sentar. A gente precisou colocar certos limites algumas vezes e não foi divertido. Uma vez me ofereceram o assento porque eu estava carregando a Coral quase dormindo no colo, e foi um menino fofo de 10-11 anos. Em Osaka, as pessoas eram muito barulhentas dentro dos trens, o que não é muito legal quando a gente precisa ouvir os anúncios, mas é excelente quando a gente tem crianças falantes.

time tables in Osaka

Tabela de horários dos trens de uma estação de Osaka

A parte complicada era comprar os tíquetes e descobrir aonde ficava a plataforma. Claro, a estação de Shinjuku é só a mais movimentada do mundo. Além disso, tem lojas, restaurantes, metrô, trens JR, trens bala, trens normais e todos precisam de tíquetes diferentes, comprados em máquinas diferentes. A gente geralmente sabia qual linha a gente precisava, graças ao Hyperdia, então a gente só ia em direção ao lugar certo – e perguntando quando necessário. As máquinas de tíquetes oferecem a opção de compra em inglês, mas antes de comprar, você precisa saber quanto vai custar a sua viagem. Dá para comprar direto dos atendentes nos caixas, mas as filas são maiores.

O preço da viagem é calculado pela distância, e é meio complicado achar o destino no mapa. Como dá para imaginar, os mapas de trens são muito cheios de informação e gigantescos, então preste atenção. Se comprar o tíquete com valor errado, dá para arrumar na saída: há máquinas de ajuste de preço perto das saídas.

Hirata Station

Estação de Hirata em Suzuka, Mie

Como funciona: a gente pesquisava de antemão para qual estação a gente precisava ir, então chegava na estação de Shinjuku e procurava nosso destino no mapa acima da máquina de venda de tíquetes. No mapa, têm os nomes e os preços de cada estação, então a gente ia até a máquina, apertava o botão Adulto + 2 Crianças, escolhia o preço, colocava o dinheiro, pegava os tíquetes e o troco. Apertava Adulto + 1 criança e fazia tudo de novo. Infelizmente, não tinha a opção 2 adultos + 3 crianças.

Depois disso a gente precisava encontrar a plataforma do trem. Existem placas em todos os lugares, mas é sempre uma boa ideia saber qual é a última estação da linha que você quer pegar, para que você encontre a plataforma certa. As placas têm cores, e as cores são as mesmas do mapa com os preços – facilita a vida de quem não lê ou tem dificuldade com os nomes japoneses. Se, mesmo assim, você ficar perdido, encontre um funcionário da estação e pergunte. Se essa pessoa não souber falar inglês, ela vai te ajudar a encontrar alguém que fale.

Osaka subway map

Mapa do metrô de Osaka

Nas estações grandes, existem barreiras com portas automáticas entre o trilho e as pessoas. Elas são úteis para mostrar aonde as portas estarão. Quando não há barreira, há linhas mostrando aonde ficam as portas – assim dá para fazer uma fila direitinho.

Dentro de alguns trens, existem pequenos monitores mostrando as próximas estações, qual porta vai abrir e quais outras linhas são encontradas nas próximas estações. Eles são bem úteis, especialmente quando as pessoas em volta não param de conversar. Se o trem não tem os monitores, o trem tem os anúncios, que são em japonês e inglês. Algumas vezes, o condutor falava em cima da gravação em inglês, então a gente precisava redobrar a atenção.

electronic signs

A placa eletrônica mostrando o horário dos próximos trens

Uma coisa importante é manter o seu tíquete até o fim da sua viagem: você coloca na máquina, entra e pega o bilhete na entrada, e coloca na saída de novo. Lá, ele fica na máquina.

Quando for sair da estação, é importante saber para qual saída você vai, porque a maioria das estações têm muitas saídas e, algumas vezes, usar a saída errada te faz andar por mais meia hora.

Tokyo train

Dentro de um trem em Tóquio

A gente tomou o ônibus Keisei para ir da estação de Tóquio até o aeroporto de Narita, porque era bem mais barato do que o Narita Express (JP¥ 900 contra os JP¥ 4000 do Narita Express). Nosso ônibus estava marcado para as 2 da tarde, mas chegamos na estação de Tóquio à 1. Por sorte, a Keisei tem uma área de espera com ar condicionado aonde a gente pôde esperar o nosso ônibus confortavelmente. Pegamos o ônibus das 2 e chegamos no aeroporto às 3. Acredito ter sido a melhor opção.

Shinjuku Station

As placas na estação de Shinjuku

Alugamos o carro pela Budget e, apesar do carro estar perfeito, ele cheirava a cigarros (e a gente pediu por um carro de não fumante) e também veio com um papel de chiclete esquecido. Foi a opção mais barata que encontramos e que aceitava que pegássemos o carro em Suzuka e devolvêssemos em Osaka. O único problema, além do cheiro, foi o local de retorno. Não conseguimos encontrar a franquia de Osaka de jeito nenhum, até que alguma alma caridosa de outra companhia veio ajudar.

ticket machine

Comprando os tíquetes na máquina

No geral, acredito que o transporte público no Japão seja suficiente nas grandes cidades e, se você não se importa de andar mais e/ou não tem problemas com limite de tempo, em cidades pequenas. A gente amou nossos passeios de trem, as crianças aprenderam a ler vários ideagramas nas estações e nos trens, e a gente aprendeu um pouco sobre a humanidade.

2 respostas
  1. Thami
    Thami says:

    Que texto mais bacana!
    Tinha lido que brasileiro não pode dirigir no Japão, é verdade?
    Achei o JR Pass muito caro, mas no Hyperdia não tô achando itinerário de Tóquio (estação Kuramae) até Maihama (Disneyland) sem usar o JR pass… tem alguma dica?
    E passeio pra ilha Fuji, tem agências de viagem que vendem esse passeio saindo de Tóquio?
    Obrigada pela ajuda

    Responder
    • Thais Saito
      Thais Saito says:

      Oi, Thami! Brasileiro não pode dirigir no Japão com a carta de motorista brasileira. Se você tiver carteira internacional que valha lá também, pode. A gente tem carta brasileira (agora já venceu, ehhe), japonesa e neozelandesa, então a gente pode.
      Quando a ir para a Disney, o melhor é ir até a estação de Shinjuku e pegar o ônibus direto para a Disney. Ele é mais caro do que os ônibus comuns, mas é direto e muito confortável. Pegamos ele na volta da Disney, se você quiser ver está aqui.
      Para o monte Fuji tem sim passeio, mas não sei aonde é essa ilha, então não sei te dizer. Se for para a montanha, é fácil ir de trem!
      Espero que tenha ajudado!

      Responder

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