Sendo nômade

Pensando no assunto, eu acho que eu sempre fui nômade.

Quando eu era pequena, minha família mudava de casa pelo menos uma vez por ano. De vez em quando, a gente chegava a mudar 3 vezes no mesmo ano. Desde lá, nunca consegui parar. A gente chegou a passar bastante tempo em um mesmo lugar (como os nossos 5 anos em Auckland), mas nunca foi definitivo. Eu estou sempre com planos, mesmo que em sonhos, sobre a próxima mudança.

Eu acho que nunca foi um problema pra mim. Sempre foi fácil ir de um lugar para o outro, de uma escola pra outra, de um grupo de amigos pra outro.

playing at the beach

Angelo e as 3 crianças mais velhas no Japão

 

Acho que, sabe, eu me acostumei a deixar coisas/pessoas/lugares pra trás. 25 anos atrás, não era fácil manter contato com as pessoas como é hoje em dia. Eu lembro de sair, uma vez por mês, com meus pais e minha irmã, para falar por telefone com as pessoas amadas. A gente ia até o orelhão próximo de casa, munidos com um cartão telefônico internacional e ficava lá, umas 2 horas, ligando pra todo mundo. Tinha que ser tarde da noite por causa do fuso horário. Era pior no inverno, mas os pernilongos do verão eram terríveis também. Eu não conseguia manter amizades, porque eu (até hoje) acho muito difícil encontrar o que falar para uma pessoa que eu não vejo há muito tempo.

Não era tão ruim, sabe. Eu fazia novos amigos, eu tinha novas experiências, eu conhecia lugares novos, vivia culturas diferentes. Eu gostava disso, apesar de de eu ter desenvolvido um certo problema em me conectar com as pessoas, porque eu sempre acho que não vai durar muito mesmo.

Só uma nota: eu ainda tenho contato com uma amiga da quarta série. Ainda sou amiga de pessoas que conheci na sexta série – vi a galera dando o primeiro beijo, começando a namorar, casando, tendo filhos… Amo você, internet.

buenos aires

Angelo, Melissa e João em Buenos Aires

Minhas crianças mudaram bastante de casa também desde que nasceram – umas 10 vezes desde que a Mel nasceu até Auckland. A gente cobriu 4 países, sem contar viagens de férias. Só que a gente passou 6 anos em Auckland, e isso é um mundo de tempo (se contar que a Coral hoje tem 4, e a Mel que é primogênita, tem 12…). A gente até pensou que nossa vida nômade tinha acabado, mas é claro que não. Não é uma coisa que vai embora com o tempo. Pode estar adormecido, mas está sempre lá. Quer dizer, como pode a vontade de viver em outro lugar acabar? Eu tenho quase certeza de que a gente vai cansar e vai passar alguns anos em algum lugar por aí, mas a gente sempre vai acabar indo embora de novo (e aqui, mais um exemplo da minha dificuldade de criar laços).

Mesmo que seja meio triste que as crianças não vão crescer com os amigos deles, eu acredito que a oportunidade seja boa demais pra gente deixar pra lá.

Eles têm aprendido coisas que a gente nunca poderia ter ensinado. Eles nos ensinam coisas que a gente nunca imaginou que existissem. Eles estão mais abertos pra experimentar novas coisas, mais pacientes do que eram, e eles ficam felizes com coisas pequenas (tipo lasanha). Eu espero que eles não sintam que estão perdendo em coisas materiais, mas que eles estão sempre ganhando em vivências.

Sabe aquele sentimento de nostalgia quando se passa em frente à casa onde se passou a infância? Eu sinto isso. Só que eu sinto isso em vários lugares diferentes, e eu amo! E espero, do fundo do meu coração, que as minhas crianças também amem.

You know that thing when people pass their childhood home and feel nostalgic? Well, I have that too. Except that it happens a lot more often with me. And I love it! I hope, I really do, that my kids will love it too.

Esse estilo de vida traz coisas maravilhosas, mas também têm seus desafios, assim como qualquer outro. É só uma questão de escolha, porque todo mundo é diferente! E isso é bom!

sunset at christchurch beach

Os meninos brincando em uma praia de Christchurch

O que você acha sobre isso? Não esqueça de deixar um comentário, a gente ama lê-los!

1 responder
  1. Ju M.
    Ju M. says:

    Faz todo sentido que suas experiências de vida tenham te inspirado a levar as crianças pelo mundo…. e eu fico tão feliz por eles terem essa oportunidade (embora eu seja seu oposto e sou agarrada às pessoas de um jeito que vou sofrendo um pouco a cada foto).

    Amo vocês. And I love you too, internet! huahauhauha

    Responder

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