Como viajamos com 4 crianças pela América do Sul por 9 meses

Viajar pela América do Sul por 9 meses com 4 crianças pode parecer loucura, mas foi muito bom! Clique para ler mais!

Apesar da gente ser brasileiro, estamos morando fora há 10 anos. Primeiro Japão, depois Nova Zelândia. Os dois países são seguros e estáveis, apesar dos terremotos, tsunamis, furacões. A gente estava com um pouco de medo, sinceramente.

Mas marcamos tudo de uma vez só, mesmo assim.
Se as coisas ficassem muito feias, a gente só ia precisar cancelar tudo e comprar um de saída para acabar com a tortura.

No final das contas, a gente amou. 

Passamos pelo Brasil (SP, Salvador, Itanhaém), claro, Uruguai (Montevidéu e Colônia del Sacramento), Chile (Santiago e Viña del Mar/Valparaíso), Bolívia (La Paz e Salar de Uyuni), Peru (Cusco, Machu Picchu e Lima) e Colômbia (Bogotá e Medellín). Todos os lugares foram incríveis. Claro, teve lugares que a gente não achou o melhor lugar do mundo, mas a maioria foi, sim, demais. Cada lugar teve alguma coisa especial que ficou nos nossos corações.

Eu já postei sobre cada um desses lugares, então escolhe um e clica para ler tudo!

Segurança

A gente tinha a ideia da mídia da América do Sul, com traficantes, ladrões, guerras civis, tiroteios. Imaginamos que a gente ia ter que ficar 100% alerta o tempo todo, carregando uma carteira falsa, tendo códigos de segurança com as crianças (uma que avisasse que a gente precisa de 100% da atenção deles imediatamente e sem perguntas), evitar comida de rua, não pegar taxis aleatórios, e todas essas coisas. A gente só ouve histórias horríveis.

Uyuni Train Cemetery, Bolivia, South America, with kids

Coral e Joao, no cemitério de trens em Uyuni, Bolívia

Não precisamos de nada. 

Foi seguro o suficiente para deixar as crianças correrem sozinhas pelos parquinhos enquanto os adultos conversavam; ou dar dinheiro e deixar que eles fossem comprar o que eles queriam por perto; ou abandonar a carteira falsa quando ela ficou (psicologicamente) muito pesada; ou andar jogando Pokémon Go no celular e tirando fotos o tempo todo; ou andar de noite e até parar no parquinho para brincar um pouco; chamar o primeiro taxi ferrado que aparecesse na rua; ou até dormir pesado em uma viagem de 8 horas de trem.

Claro, teve momentos em que a gente ficou com um pouco de medo, como quando o taxista de Oruro correu como se Godzilla estivesse atrás da gente por caminhos suspeitos, ou quando a gente teve que cruzar uma manifestação a pé com as crianças, cheia de policiais e manifestantes armados. Ou quando a gente deu de cara com o chão ensanguentado em Valparaíso.

Mas com certeza, as crianças tiveram muito mais medo dos zumbis falsos da Universal Japão do que em qualquer uma dessas vezes acima.

Saúde

Essa é uma das perguntas que eu mais ouço e a gente é especialista no assunto. Usamos hospitais em quase todos os países – e todos foram ótimos. Alguns lugares são bem mais baratos (como a Bolívia), e outros foram mais caros, mas tendo um seguro viagem bom, não tem problema. A gente pergunta pro pessoal do seguro qual hospital eles recomendam em cada país e eles só indicam hospitais bons, então não tivemos mesmo nenhum problema. Mesmo na Bolívia, quando chamamos um médico encontrado no Google para vir me examinar em casa (eu desmaiei e bati a cabeça, a ordem é indefinida), tudo foi maravilhoso.

Não tenha medo. A língua não é, em geral, um impedimento. A gente teve alguns probleminhas na recepção e com algumas enfermeiras – nem todos falavam inglês ou português – mas todos os médicos falavam um inglês perfeito. Quando uma pessoa não consegue te entender, ela procura alguém que possa ajudar.

A gente usa o World Nomads desde que saiu da NZ e tem sido perfeito até agora. Se você vai viajar, recomendo que você entre em contato com eles – eles cobrem independente da onde você more, aonde você esteja e para onde você vai. Na barra lateral, tem um calculador de preço deles, dá uma checada!

Salvador, Bahia, Brazil

A noite em Salvador é uma coisa linda!

Transporte

Varia imensamente de cidade para cidade. Mesmo dentro de um mesmo país, é diferente. Em alguns lugares, como Medellín, Santiago, ou Montevideo, transporte público é excelente e você não precisa nem usar taxi. Em outros, taxis são mais baratos e mais fáceis de encontrar, como no Peru ou em Bogotá.

A gente usou de tudo, desde ônibus local, ônibus turístico, ônibus de viagem; trens locais, metrôs e trens noturnos; taxis, Ubers, carros de aluguel e motoristas particulares. A gente até usou lotação.

Apesar do trânsito não ser muito organizado e tranquilo, a gente se virou muito bem. Conseguimos sempre chegar do ponto A ao B sem muitos problemas.

Saiba como manter a sua segurança (e a das suas coisas) e vá em frente! Tudo depende muito do tipo de transporte que você vai usar, mas sempre mantenha as coisas de valor por perto.

(A gente usou taxis de 5 lugares em 7 ou até 8 pessoas algumas vezes. Não é super seguro, mas a gente imaginou que ficaria tudo bem no trânsito lento dos infernos)

Companias aéreas de baixo custo são um meio bom de chegar rápido no próximo destino, já que em alguns casos, a viagem de ônibus pode demorar mais de 24 horas. É que algumas estradas não são, realmente, muito bem mantidas, tem protestos, e etc. Os vôos locais costumam ser rápidos. A gente usou Viva Colômbia, LC Peru e Gol. Todos cumpriram suas funções, apesar de uns serem mais rigorosos com as regras do que os outros (estou olhando para você, Viva Colômbia). A gente não teve problemas, tirando as mudanças no horário dos vôos (sempre 1 hora pra baixo ou pra cima), mas que não fazia diferença para nós. É um jeito bom de economizar tempo, mas saía sempre bem mais caro que ônibus.

Traffic in La Paz, Bolivia, South America

Trânsito caótico? Nada, só mais um dia comum em La Paz, Bolívia

Clima

Depende muito da altitude. Quanto mais alta, mais frio. A gente não estava preparado pro frio, o que foi bem burro, e a gente passou por vários lugares bem frios. Para informações locais específicas, procure pela cidade no canto direito no topo da página. Se for viajar por vários locais, encontre roupas que possam ser usadas em camadas. Leve muitas camadas. E não esqueça as meias, porque pé frio é um terror.

Comida

A gente teve a melhor comida na Colômbia e no Peru. No Uruguai, os lugares bons eram muito bons, mas os ruins eram bem ruins. Em Santiago, tudo menos um lugar foi horrível. No Brasil, a gente conhecia quem sabe dos bons lugares, então a gente só comeu comida boa. No geral, a comida sulamericana é boa. Na Bolívia e na Colômbia, vimos mais opções vegetarianas, mas em outros lugares, nem tanto.

Feijão, abacate, arroz e carne é a comida básica. Delícia!

Food stall, Bogota, Colombia, South America

Comidas de rua são quase sempre mais baratas do que restaurantes e, em sua maioria, excelentes!

Internet

A internet foi tranquila em todos os lugares. Não tinha uma velocidade japonesa, mas foi tão boa quanto a nossa da Nova Zelândia ou as que pegamos no Canadá. Tivemos mais problemas na NZ e no Canadá do que na América do Sul. Além disso, cartões de celular com internet são tão baratos que dá pra comprar um por país e usar a internet dele. Mesmo nos lugares mais remotos, tinha internet. No único que a gente não conseguiu usar foi no Salar de Uyuni – mas logo solucionamos comprando um chip de celular local. Eu acho que o modem do hotel era muito velho e fraco e não aguentava as paredes de sal.

As crianças

Eles amaram alguns lugares, detestaram outros. Eles disseram que, depois de um tempo, tudo pareceu igual. Tirando a Bolívia e Cusco, acho que foi mesmo tudo meio parecido. Cidades grandes são cidades grandes e praias são praias. Museus também ficam chatos porque são muito parecidos, a gente não visita zoológicos (não muito, pelo menos), então eles não ficaram muito animados por algum tempo. Eles gostaram da comida e do tempo que a gente passou juntos descobrindo os lugares.

Eu não posso te dizer o que eles vão levar com eles dessa viagem, mas eu sei que a geografia da América do Sul deles está ótima.

Eles amaram muito ver as lhamas de pertinho. hahaha

The youngest in the Andes, Chile, South America

Só posso dizer que eles estão, pelo menos, melhorando na fotografia

Nossas dicas para viajar com crianças pela América do Sul

  • Você PRECISA carregar papel higiênico e álcool em gel. Na Bolívia e no Peru, era raríssimo encontrar papel ou sabonete. Em outros lugares, quase sempre tinha papel, mas não o sabonete. Vai entender.
  • Cachorros de rua são comuns e a maioria é muito fofa. Gatos de rua também são comuns só que eles não deixaram a gente chegar perto. haha
  • Cheque a altitude. Cheque a altitude. Cheque a altitude. Quanto mais alto, mais frio e maior a chance de se sentir mal com a falta de ar. Cheque a altitude.
  • Esteja atendo aos seus arredores e pertences, mas não há motivos para se ficar paranóico.
  • Os filmes nos cinemas são, quase sempre, em espanhol. Os infantis são sempre em espanhol. Deixe para ver depois ou aproveite para treinar o espanhol.
  • Visite os pontos turísticos, museus, mas não precisa ver tudo de todos os lugares. Tudo acaba ficando igual e chato. A gente costumava ficar horas dentro de um museu e hoje, quando muito, ficamos uma hora. Existem museus únicos e diferentes, como o Catavendo em São Paulo, O Museu Antioquia (Medellín), o museu do ouro (em Lima ou Bogotá), o Explora (Medellín). Mas não precisa visitar todos!
  • Você pode não encontrar sua marca favorita em todos os lugares, mas as coisas de mercado são iguais em todo o mundo. Quanto maior o mercado, maior a chance de se encontrar.
  • A comida é barata na maioria dos países. Na Colômbia, a gente quase não cozinhou porque a gente queria comer fora todos os dias – e podia pagar!
  • Em alguns lugares, você precisa negociar o preço – mercados de artesanato são os campeões da barganha. Tente negociar um preço justo, sem explorar o vendedor.
  • Tem pessoas pedindo dinheiro em todos os lugares, mas não é mais do que nos países desenvolvidos. A gente sempre carregava umas moedas para ir dando sempre que encontrava alguém pedindo.
  • Como dizem os colombianos, ’não dê papaias’. Significa algo como ‘seja discreto, para não ser um alvo’. Se vista de modo simples, mas não precisa exagerar.
  • A América do Sul é um lugar incrível para se conhecer com as crianças. Claro, não é a Disney, mas é uma diversão diferente. É tão diversificada que, tenho certeza, tem alguma coisa e algum lugar para cada pessoa.
  • Se você gosta de tatuagens, é o paraíso. Sai barato, a maioria dos lugares é segura, limpa, barata e tem artistas de todos os estilos.
  • Febre amarela, malária e dengue são doenças comuns em algumas cidades. As cidades grandes são, em geral, mais protegidas. Cheque antes de ir e saiba que talvez você precise provar que tomou a vacina no país de destino ou no de origem.
  • Vistos: para países do Mercosul, só o RG, sem visto nem passaporte. Para os outros, melhor checar. A gente usa o VisaHQ, mas também sempre checa os sites oficiais.
  • Leve os cadeirões de carro se pretende dirigir, mas se não for levar, reserve com antecedência porque eles, muitas vezes, não tem.
The end, Colonia del Sacramento, Uruguay, South America

Chegamos ao fim do post!

Acho que é isso! Se eu esqueci alguma coisa, fale!

E siga a gente no Twitter também, que é alimentado pelo Angelo, então tem uma visão diferente.

SaveSave

SaveSave

1 responder

Trackbacks & Pingbacks

  1. […] sempre dublado em espanhol. Foi muito gostoso ter a opção de inglês. É mais caro do que pela América do Sul, claro, mas já era esperado. A pipoca é caríssima – mas é o mesmo preço da NZ. Só foi […]

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta